Eleições para a Associação dos Bombeiros da Mealhada - Abílio Semedo ganhou com mais de 70 por cento dos votos
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"Eleições também ficaram marcadas por motivações que nada têm a ver com o cariz social e humanitário da associação", declarou João Oliveira Pires
Abílio Semedo, cabeça-de-lista à direcção da Associação dos Bombeiros da Mealhada, e recandidato, foi o vencedor das eleições, que se realizaram na noite da passada quinta-feira, 14 de Janeiro. Das quatrocentas e vinte pessoas que votaram, Abílio Semedo conquistou trezentos e um votos, cerca de 71,67 por cento, e João Oliveira Pires, cabeça-de-lista da lista B, obteve cento e dezoito votos, 28,10 por cento dos votos expressos. Apenas um sócio votou em branco para os três órgãos sociais.
Para a mesa da assembleia-geral e para o conselho fiscal o resultado foi idêntico. Em ambos os casos a Lista A somou 295 votos, 70,24 por cento. Tendo sido eleitas, então, as listas encabeçadas por Nuno Silva Salgado e Bruno Peres, respectivamente.
A lista B para a mesa da assembleia-geral, liderada por José Manuel Esteves, alcançou cento e vinte e quatro votos, 29,52 por cento. A lista liderada por José Vigário para o conselho fiscal obteve cento e vinte e três votos. Neste órgão social houve ainda um voto que foi considerado nulo.
“As pessoas deram-nos um certificado de bom comportamento, por mais três anos”, declarou Abílio Semedo
Contactado pelo Jornal da Mealhada, Abílio Semedo mostrou-se satisfeito com os resultados. “Penso que as pessoas também demonstraram estar satisfeitas com o trabalho desta direcção e a prova disso é que nos deram um certificado de bom comportamento, por mais três anos”, declarou o vencedor destas eleições.
Acerca da adesão a este acto eleitoral, Abílio Semedo afirmou: “Foi muita satisfatória a mobilização dos nossos associados. Estiveram interessados em fazer parte desta assembleia, o que nem sempre acontece em outras que realizamos ao longo do ano”.
“Mais pareceram umas eleições para os órgãos locais de um determinado partido político”, afirmou João Oliveira Pires
João Oliveira Pires, o candidato derrotado, ao Jornal da Mealhada, também declarou: “Os resultados das eleições, deixaram-me por um lado satisfeito e por outro triste e desiludido. Satisfeito pelo resultado obtido, tendo em conta toda a envolvência. Satisfeito pela grande participação no acto eleitoral, provocada pela valia e qualidade dos elementos que integravam as listas B, que reconhecidas pelos nossos adversários e conscientes que por si sós nunca ganhariam, utilizaram todos os meios para não saírem derrotados”.
“Triste e desiludido porque o processo eleitoral ficou manchado por vários atropelos e mesmo irregularidades – os mesmos vinte cinco subscritores para as três listas A, a não cedência de uma cópia dos cadernos eleitorais para consulta, a votação de um associado que já não o deveria ser e a não uniformidade de critérios e procedimentos no acto eleitoral. Triste e desiludido, porque estas eleições também ficaram marcadas por motivações que nada têm a ver com o cariz social e humanitário da associação. Mais pareceram umas eleições para os órgãos locais de um determinado partido político”, disse ainda João Oliveira Pires, que continuou: “Quando assim é, isto é, quando não se concorre de igual para igual, tendo unicamente como adversários uma lista de associados, mas sim uma ‘orquestra com vários maestros’ que usaram a sua ‘batuta’ para dirigir ‘uma música’ que nada tem a ver com a da instituição, era impossível haver outro desfecho para estas eleições”.
Acto eleitoral marcado por desentendimento entre elementos das listas
O acto eleitoral ficou marcado por um desentendimento entre os presidentes da mesa da assembleia-geral das duas listas – Nuno Silva Salgado e José Manuel Esteves – que passamos a explicar.
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada tem dois tipos de associados – particulares e empresas. Aos particulares apenas é exigido o Bilhete de Identidade ou um documento identificativo, mas as empresas regem-se pelo código das sociedades comerciais e têm regras, nomeadamente, a da representação e de poderes para praticar certos actos. Regras estas que constam na matrícula da sociedade, feita na Conservatória do Registo Comercial, e que podem ser as mais diversas, ditadas pelos sócios em assembleia-geral. A partir do momento em que são aprovadas e registadas valem por lei para a empresa em questão. No caso da representação, as sociedades têm que nomear gerente ou gerentes e definir regras que passam a obrigar a sociedade nos seus actos e contratos, como por exemplo, se tem um ou mais gerentes, quem são, quantas assinaturas obrigam a sociedade nos seus actos, etc. Actualmente, existe um documento, certidão permanente da sociedade, onde vêm descritas todas essas regras.
No dia do acto eleitoral, Messias Pedro Baptista apresentou-se para votar como gerente da empresa Caves Messias munindo-se para o efeito de uma declaração a autorizá-lo a votar em nome da empresa. Contudo, e segundo pudemos apurar, Nuno Silva Salgado, que presidiu ao acto eleitoral, exigiu que as assinaturas fossem reconhecidas, uma vez que a declaração da forma que estava a ser entregue não teria qualquer validade, e, por isso, não deixou votar o referido associado naquela altura.
O desentendimento deu-se quando António Macedo Matos, gerente da empresa de artes gráficas Galé, foi votar e não lhe foi exigido qualquer reconhecimento das assinaturas, uma vez que estava munido de uma certidão permanente da empresa, que juntamente com o seu Bilhete de Identidade, provaria que tinha poderes para representar a empresa.
Mais tarde, e depois de vir munido da declaração com as assinaturas reconhecidas da empresa, Messias Pedro Baptista também procedeu ao seu voto. Contudo, José Manuel Esteves questionou Nuno Silva Salgado sobre as duas situações que mencionámos – a de Messias Pedro Baptista e António Macedo Matos – e também pelo facto dos votos de todos os associados estarem a ser entregues com regras distintas – “para uns associados é necessário que os votos sejam entregues na mão de Nuno Salgado, mas outros são colocados directamente nas urnas”.
A confusão que se gerou acabou por perturbar o acto eleitoral e o ambiente que o envolvia.
Mónica Sofia Lopes
Nota do director: Devido à confusão criada na sequência da altercação a que aludimos, a repórter do Jornal da Mealhada não conseguiu realizar o seu trabalho com normalidade, e viu-se obrigada a abandonar o local antes mesmo dos resultados eleitorais terem sido divulgados. Lamentamos o facto de o Jornal da Mealhada, e quem aqui trabalha, ter sido envolvido em questões que não lhes dizem respeito. As declarações, gratuitas, proferidas com intenção de difamar e por quem tem disso noção, ou se provam ou acabam por manchar quem as profere.
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Data Publicação: 2010-01-19
Autor: JM
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