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Entrevista a Nuno Castela Canilho, novo presidente da direção dos Bombeiros Voluntários da Mealhada
23 Jan 2013, 12:31
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"A equipa que lidero é muito jovem, mas educada para o Serviço"

 

Depois de no passado mês de dezembro ter sido eleito, Nuno Canilho prepara-se agora para um mandato de três anos como presidente da direção dos Bombeiros Voluntários da Mealhada. O Jornal da Mealhada falou com o dirigente sobre alguns dos temas mais relevantes desta associação humanitária.

 

Quais as expectativas que tem para o seu mandato?

Antevejo um mandato complexo, com a necessidade de um conjunto de tomadas de decisão estruturantes para a associação e especialmente para o corpo de bombeiros. Mas é essa complexidade que torna o desafio ainda mais aliciante e que nos deu ânimo para nos candidatarmos à direção da maior e uma das mais antigas colectividades do nosso concelho.

 

Tem noção exata das dificuldades que a corporação tem?

Julgamos que sim. Naturalmente, há um processo de aprendizagem que só o tempo e a acção podem cumprir. Há dificuldades do foro económico-financeiro - apesar de termos recebido a associação em óptima saúde financeira - naturais a uma colectividade como esta, especialmente nos dias de hoje. Há dificuldades associadas à crise social, com consequências e reflexos no voluntariado. Há necessidade de investimentos que nos parecem importantes. Há a necessidade de apoiar o corpo activo, investindo, ajudando na formação, apoiando, criando condições de cada vez mais eficácia, prontidão e segurança. Há toda uma hiperactividade legislativa, que faz com que em termos de determinação legal o que é verdade hoje pode não se confirmar amanhã. E depois, há, também, o problema da liberalização do sistema de transporte de doentes.

 

Quais são as soluções para essas dificuldades?

A solução passará por assumir a nossa missão com determinação e resistência. Os investimentos e a questão financeira terão de ser resolvidos com o apoio da comunidade, com o nosso esforço na angariação de fundos e com trabalho, as questões sociais serão minimizadas com assistência e presença. Relativamente a outras questões e lutas, temos de ser resistentes e defender intransigentemente os interesses de uma associação humanitária que gere um corpo de bombeiros activo e com operacionalidade. Os interesses desta associação são os interesses da comunidade. Acreditamos que nessa defesa dos interesses coletivos, teremos, sempre, ao nosso lado, as autarquias, as instituições, as empresas, as escolas, as pessoas das nossas comunidades.

 

Está preparado para todas as ocorrências que seja solicitado?

A missão de uma direção de uma associação de bombeiros é estar na retaguarda, discreta, garantindo que nada faltará aos nossos bombeiros e à população que servimos, que os homens e as mulheres têm todas as condições para que possam cumprir a sua missão da melhor forma possível: com tranquilidade, com eficiência, com formação, com profissionalismo e, acima de tudo, em segurança.

No passado sábado, 19 de janeiro, por exemplo, tivemos a nossa primeira prova de fogo, com a necessidade de dar resposta, apoio e garantir condições logísticas ao nosso corpo de bombeiros que estava no terreno a desempenhar um trabalho difícil, de forma empenhada e inexcedível. Começámos com o pé direito, parece-nos que estivemos à altura e isso anima-nos. A direção que lidero é muito jovem - das mais jovens do país - mas é composta por um conjunto de pessoas que foi educada para o Serviço e que vê neste compromisso uma responsabilidade de Missão e Voluntariado. Somos todos tão voluntários como os nossos bombeiros e isso ajudará a sermos cada vez mais eficazes na nossa ação.

 

Uma das questões que tem para resolver é a nomeação do comandante. Quando tenciona fazê-lo?

Desde meados de dezembro e até porque a estrutura operacional de um corpo de bombeiros é especialmente pragmática, o comando da corporação está a ser assegurada pelo Segundo Comandante Joaquim Valente de Oliveira, que conta, também, com o Adjunto de Comando Nuno Antunes João. Foi uma situação anterior à nossa posse e que decorre do término do mandato do comandante António Lousada, que exerceu a responsabilidade com elevado sentido de altruísmo e abnegação.

A direcção está sensível à necessidade de nomear, a breve prazo, um comandante, como lhe compete, e está a trabalhar nisso, afincadamente. Mas, no entanto, queremos dar conta a todos de que estamos tranquilos e temos confiança absoluta nas capacidades operacionais do comando em exercício. O passado fim-de-semana foi exemplo brilhante da capacidade operacional do comando em exercício. Há urgência na nomeação do comandante, até por uma questão de expectativas, mas não há qualquer tipo de risco.

 

O material da associação e a corporação são suficientes?

Pelas suas características, o material de uma associação de bombeiros têm um desgaste muito rápido. É sempre preciso substituir, arranjar, investir. De uma forma geral, e genericamente, podemos assumir que ao nível da proteção individual dos bombeiros, a situação é boa. No que diz respeito ao parque de viaturas, também estamos muito bem equipados, será necessário, em 2013, investir na renovação pontual de uma ambulância de socorro. Ao nível das infraestruturas, temos um quartel que este ano assinala os 20 anos da sua inauguração e que precisará de algumas beneficiações. Mas de uma forma global, em resumo, podemos dizer que não temos razões de queixa.

 

Como está, neste momento, a situação do transporte de doentes? É problemático?

Continua a ser um problema. Foi minimizado pela questão de os táxis serem impedidos de transportar alguns tipos de doentes, mas a liberalização do mercado de transporte de doentes a empresas privadas está a levar algumas associações à ruína, perante a completa apatia da administração central, que se arrisca a, nalguns casos, deixar de ter quem apague os fogos e socorra os feridos. Na nossa associação, houve, um período de completa asfixia e agonia, que a direção anterior, liderada por Abílio Semedo, soube dirimir com sucesso. Mas não podemos nem vamos baixar os braços, porque ainda há muito a fazer!

Interessava que as pessoas percebessem que, em Portugal, a protecção civil de pessoas e bens - que é uma obrigação soberana do Estado - é, na maior parte do território, garantida por associações privadas, locais, com corpos de bombeiros voluntários, e financiadas pelos sócios, a comunidade, e na maior parte dos casos, apoios municipais. Ao longo do tempo, as associações socorreram-se da prestação de outro tipo de serviços, pagos, que servem de financiamento das associações. Nos últimos anos, no entanto, o Estado tem tido uma espécie de surto legislador e, em vez de apoiar associações de pessoas que estão a cumprir uma missão que devia ser sua, tem criado obstáculos ao funcionamento dessas associações. Numa linguagem mais figurada, poderia dizer-se que o Estado está a decepar a mão que cumpre uma missão em sua substituição.

 

A nova legislação cria dificuldades?

O tal surto legislador de que falei, por exemplo, veio criar um conjunto de exigências formais aos voluntários - obrigando a volumes anuais de horas mínimas de serviço operacional, por exemplo - que não se compreende. Toda a gente sabe que há uma crise de voluntariado, muitos portugueses têm de trabalhar mais tempo para auferir o mesmo rendimento, ficando sem tempo para dar a outras actividades não remuneradas, mesmo assim, obriga-se a que um voluntário seja impedido de dar o que pode, só porque alguém acha que não é suficiente.

 

O financiamento dado à associação é sustentável?

As direções que nos antecederam deram à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada regras, condições e uma estrutura perfeitamente sustentável ao nível económico-financeiro. A sustentabilidade é algo que se garante no dia-a-dia e é, também para nós, um objectivo. O nível de financiamento da parte dos sócios, com as quotizações, por exemplo, é muito bom, os apoios autárquicos são bons, os serviços que prestamos, como já se disse, já foram mais rentáveis, mas acreditamos que vamos minimizar as dificuldades.

 

Que novas atividades tem previstas?

Amanhã, 24 de janeiro, quinta-feira, reunirá a assembleia-geral da associação. Peço a todos os sócios que participem. Parece-nos que antecipar informações que tencionamos ali divulgar poderia ser pouco cordial.

 

Qual o apelo que gostaria de fazer às “gentes” da Mealhada?

Gostaria de deixar dois apelos às nossas comunidades. Em primeiro lugar, queria pedir que ajudem os bombeiros. Uma ajuda financeira - os que puderem -, mas também a ajuda através de gestos de agradecimento, de alento, de apoio e apreço aos que voluntariamente arriscam a vida pelos outros. Em segundo lugar, quero apelar para que na declaração de IRS de cada cidadão, no campo 901 do quadro 9 do Anexo H (Benefícios Fiscais e Deduções), coloquem uma cruz e o número de contribuinte dos bombeiros da Mealhada (NIF 501 205 985). Dessa forma, sem custos para o cidadão, a nossa associação receberá do Estado o equivalente a 0,5 por cento do valor pago em IRS pelo doador.

 

E às entidades oficiais?

Às entidades nacionais, apelo à sensibilidade e bom senso. Às nossas autarquias locais quero dar garantias de confiança na operacionalidade e empenho do nosso corpo de bombeiros e apelo a que continuem a ser solidárias e colaborantes como têm sido.

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